sábado, 24 de maio de 2008

Blondie - Parallel Lines

Terceiro álbum da banda new age estadunidense Blondie, lançado em 1979 pela gravadora Chrysalis. É o mais popular e o mais vendido trabalho da Blondie (não a loura, mas o grupo). Foi produzido pelo australiano de nascimento Mike Chapman (ex-guitarrista da banda The Blue Things - 1964 a 1968 -, surgida no Kansas, EUA, e um dos gêmeossiameses Chinn-Chapman, quem produziu, também, Sweet, Suzi Quatro, Smoke, Mud's, The Knack, entre outros). O álbum alcançou o número 1 no Reino Unido em setembro de 1978. Contem várias das mais conhecidas músicas do Blondie (não o louro, mas a banda), incluindo Heart of Glass, Hanging on the Telephone, Sunday Girl e One Way or Another. Seis, das doze faixas, foram lançadas como compactos. É colocado pela revista Rolling Stones (o lado supremo da Força) na posição 140 (nem o Kama Sutra tem tantas posições) dos 500 melhores álbuns de todos os tempos, desde o surgimento da vida inteligente (?) sobre a face do planeta Terra.

Eles, os produtores (e não os Blondies, que vão levando a coisa como dá) querem ganhar uma graninha a mais com os revivals e vão lançar agora em junho/2008 um álbum comemorativo dos 30 anos do lançamento de Parallel Lines.

Agora quem foram os músicos do/a Blondie?

Deborah Ann Harry (Debby Harry), nasceu em 01/7/1945 e adotada aos três mêses por uma família de New Jersey (que está para New York como Guarulhos está para São Paulo, ou não...).
Em meados dos anos 1960 trabalhou como secretária por um ano no escritório da rádio BBC de Nova Iórque, depois foi ser garçonete do Max na cidade de Kansas, dançarina na cidade de Union e ainda coelhinha da Playboy. Uau! Que cu-rri-cu-lo. Essa garota saiu de algum filme de cinema!...
Ela começou sua carreia musical cantando num grupo folk Wind and the Willows, depois no Stilettos, um trio de garotas, em meados dos anos 1970. E, de meado em meado, em meados de 1970 (ainda), resolveu formar o/a Blondie com seu namorado e guitarrista de plantão Chris Stein.
Depois do primeiro álbum em 1976, o êxito comercial seguiu até o final dos anos 1970 e meados dos anos 1980, primeiro na Austrália e Europa, depois nos Estados Unidos. (Pois é: lá como cá).

Chris Stein, nasceu em 05/01/1950 em NY, além de ser co-fundador da banda e seu guitarrista principal, foi produtor do filme de Hip-Hop Wild Style, considerado um clássico do gênero.
Assina, juntamente com Debby e Jimmi Destry, grande parte dos sucessos da/o Blondie. Após um longo e árduo tratamento contra penphygus (o tal do pênfigo, o mal que tem umas variedades no Brasil e é conhecido como fogo-selvagem). Mas ele venceu o mal!! Continua produzindo álbuns e apresentando-se com a/0 Blondie. Casou-se e tem duas filhas.

Frank Infante, é guitarrista, nasceu algum dia em algum lugar que não consegui descobrir (até mesmo porque não fui muito atrás). Antes de tocar para a Blondie (hmm), ele tocava nas bandas The Elegant End e World War III (o cara é um apocalíptico com classe). Juntou-se à banda em 1977 e com ele veio o estilo mais heavy. Com a entrada de Nigel Harrison no mesmo ano, ele deixou o baixo e voltou à guitarra. Contribui com algumas canções excepcionais como Underground Girl, Victor, and I Know But I Don't Know. Ele também é responsável pelas pegadas de guitarra mais populares da banda, inclusive o solo em Rapture.
Tem gravado e excursinado com Iggy Pop, Dinyl, Stiv Bators, Sylvain Sylvain e Joan Jett. As linhas de guitarra do álbum What's Up, do Non Blondies, são dele.

Jimmi Destry nasceu em 13/4/1954, no Brúclim, Nóva Iórque, o tecladista da banda e um dos compositores., desde o primeiro álbum. Veja aqui a relação das trocentas músicas que o cara participou. Não vinha excursionando com a banda desde 2004, mas ainda considerado seu membro oficial. Lançou seu álbum solo Heart on a Wall em 1981.

Nigel Harrison nasceu em 18/4/1951 em Estócpor, Chichér, Ênglan, o baixista da banda. Em meados de 1970 foi baixista de uma banda Local (Farm) em Princes Ráisbôuru próximo de Êilisbíuri, Bãquinrãchéir. Excursionou com Silverhead (banda de glam rock que lançou os albuns Silverhead, 1972, e 16 And Savaged, 1973, liderada por Michael Des Barres que também é ator - fez o papel do Murdoc, aquele com metade da cara queimada, na série MacGyver), no período de 1972-1974. Juntou-se à Blondie em 1977. De 1982 a 1984 fez parte da banda Chequered Past, com Des Barres, Clem Burke, Steve Jones (do Sex Pistols) e Tony Sales. Lançaram um álbum epônimo em 1984. Agora ele toca no The Grabs (ouça aqui no MySpace).

Clement Anthony Bozewski (Clem Burke), nasceu em 24/11/1955, é o baterista. Durante os anos 1980 e 1990 tocou com The Romantics (de quem foi baterista regular entre 1990 e 2004), Pete Townshend, Bob Dylan, Eurythmics, The Tourists, Dramarama, Iggy Pop e Joan Jett, entre outros. Com a alcunha de Elvis Ramone, tocou em show com os próprios em agosto de 1987 e novembro de 2004.
Atualmente toca no Slinky Vagabond with Earl Slick (guitarrista que acompanha David Bowie há tempos, e tocou guitarra no Double Fantasy de Lennon), Glen Matlock (baixista dos Sex Pistols e co-autor de 10 das 12 músicas do álbum Never Mind..., depois substituído pelo Sid Vicious), and Keanan Duffty.

Mas, voltando ao álbum, um comentário interessante: a faixa Heart of Glass, no original tem 3:52. A Chrysalis relançou o álbum com uma versão disco de 5:50. Os relançamentos posteriores continuaram com esta versão. A original é raridade.

Outro lance legal é a guitarra tocada por Robert Fripp (fundador e guitarrista do King Crinsom, para alguns "King Crinsom era ele") na faixa Fade Way and Radiate.

Delta-Pi, minha maninha hiperbólica, ouvindo pela primeira vez I Know but I Don't Know, disse que é um proto-CSS, e que Debby deve ter sido um influência em LoveFoxx. Tremi... e fiquei pensando. Fazer o quê? Não é?
Agora... quanto a Kid Abelha e os Abóboras Selvagens....


Blondie - Parallel Lines 1978
baixe 70MB, 160 Kbps - senha: undiverso

01. Hanging on the Telephone (Jack Lee) – 2:17
02. One Way or Another" (Nigel Harrison, Deborah Harry) – 3:31
03. Picture This (Destri, Harry, Stein) – 2:53
04. Fade Away and Radiate (Stein) – 3:57
05. Pretty Baby (Harry, Stein) – 3:16
06. I Know But I Don't Know (Frank Infante) – 3:53
07. 11:59 (Destri) – 3:19
08. Will Anything Happen (Jack Lee) – 2:55
09. Sunday Girl (Stein) – 3:01
10. Heart of Glass (Harry, Stein) – 5:50)
11. I'm Gonna Love You Too (Joe B. Mauldin, Norman Petty, Niki Sullivan) – 2:03
12. Just Go Away (Harry) – 3:21

Faixas bonus no relançamento de 2001:
13. Once I Had a Love (a.k.a. The Disco Song) (1978 demo) (Harry, Stein) – 3:18
14. Bang a Gong (Get It On) (live) (Marc Bolan) – 5:30
15. I Know But I Don't Know (live) (Frank Infante) – 4:35
16. Hanging on the Telephone (live) (Jack Lee) – 2:21

Coisinhas e coisinhos, seres undiversos... Deixo-lhes com Parallel Lines. Um clássico indiscutível de Blondie, do pós punk new wave que não veio a esse mundo a passeio.

terça-feira, 20 de maio de 2008

SWEET - Live at Marquee Club 1986

Pra quem não sabe o Marquee Club, em Londres, é um lugarzinho meia-boca, de quinta categoria, que entre seus méritos vulgares está o de ser o muquifo (ou melhor, moquiço) onde os Stones fizeram sua primeira apresentação ao vivo, em 12 de julho de 1962. Ele foi aberto em 1958 na rua Oxford, nº 165, sustentando-se com apresentações de bandas de jazz e skiffle. Em 1964 mudou-se para a rua Wardour, nº 90, um lugarzinho um poco melhor que permitiu a apresentação de sujeitos de má reputação típicos do rock inglês do início dos anos 60, com aquela mescla horrorizante de rhytm'n'blues que incomodava pra cacete.
Entre esses carnes-de-pescoço estavam The Moody Blues, The Who, Yes, David Bowie, Jethro Tull, The Jimi Hendrix Experience e Pink Floyd tocando NAS JOVENS TARDES DE DOMINGO como parte do Spontaneous Underground. Em 1961 o proprietário do Marque, Harold Pendleton (quer nome mais inglês que esse?) lançou o Festival Nacional de Jazz em Richmond, Surrey, o precursor do Reading Festival. Você não conhece o Reading Festival? Nunca ouviu falar? Então vai pesquisar, criança...

Visite o site do Marquee. É lenda no rock inglês, como o Savoy Balroom foi no blues e R&B estadunidense.

Já com relação a essa bandinha chamada Sweet, ela tem seu marco na história, embora pouco visitado. No Lágrima Psicodélica tem postagens da discografia completa dos manés. Álbum a álbum, com aquelas resenhas a estilo Delta9, cheias de inutilidades irrelevantes.

Sweet Live at the Marquee Club, London 1986.

Aqui o Sweet estava sem o Brian Connolly e o Steve Priest, vocal e baixo, respectivamente (esses polissílabos paroxítonos não acentuados são espetaculares, não são?). O primeiro saiu primeiro e o segundo... saiu depois!
Priest ainda fez parte do power-trio que lançou três álbuns; então disse "hasta la vista, babies!". Caiu na estrada, perigas ver...

O excelente e pouco incensado guitarrista Andy Scott e o maravilhoso baterista Mick Tucker continuaram. Chamaram o Paul Mario Day, ex-vocalista do Iron Maiden, More e Wildfire e partiram pra estrada, juntamente com Malcolm McNulty, no baixo e com o acréscimo do tecladista Phil Lanzon (antes os teclados eram feitos pelo Andy Scott também).

baixe aqui. sem senha.
84MB, 128Kbps

Essa apresentação realizada no Marquee Club nos dias 11, 12 e 13 de fevereiro de 1986 (de quarta a sexta, casa cheia) é uma delícia! Faz lembrar muuuito os bons tempos do Sweet. E o vocal de Paul Mario Day, muito na dele, está excelente.

As principais músicas estão alí. Lamento não estarem outras muito boas. Mas pra viagem tá bããooo demais.

Eis as chansons:

01 Action
Claro que o show tem que começar com o grito de guerra "We love Sweet" (aliás, anterior ao "We want Kiss", sabiam?). Daí inicia Action em mais uma de suas inúmeras versões, mantendo sempre a linha fundamental. A gente percebe a diferença no vocal (repito: Paul Day não deve nada a ninguém), mas a guitarra e os backing vocals são os mesmos. A banda já ganha a galera de cara... Agora, se a alavanca do Andy quebrar... ele tá no saco! E outra coisa: como disse com muita propriedade o Steve Priest, a "caixa de força" da banda é mesmo o Mick Tucker... que baterista duca!!

02 Sweet F.A.
Um clássico da banda e um dos primeiros "pokotós" do hard rock. Ecos impecáveis; os mesmos backings vocals, o sincronismo entre o baixo e batera ótimos; os "gritinhos à la Massacration" do Paul Day são um desbunde. Ele se diverte pra caralho (e nós também, por tabela). Os arranjos em sua grande parte estão muito encima dos gravados no álbum Sweet Fanny Adams. Claro, um finalzinho apoteótico...

03 Love is like oxigen / Fanfare for the common man
A música está um pouco mais acelarada e mais hard e... Isso mesmo: eles a intercalaram com o excelente tema clássico do Emerson, Lake and Palmer. Um primor de homenagem, com teclados perfeitos. Embora ficou faltando a parte mais progressiva da música Love is like oxigen (com um pegadinha funk) que eu adoro. O vocal do Paul Day está impecável, interpretação própria e justa, sem diminutas que a superlativem.

04 Restless
O bate-estacas é o mesmo. E o "too late now" que sempre me lembrará "all right now", do Free? E esse Phil Lanzon sabe o que faz nos "ebones and ivorys". E já emendam com a seguinte...

05 No you don't
Se o Steve Priest detonava nos vocais dessa, o Paul Day mandou muito bem. Grande música, grande músicos... e tome "pokotó".

06 Guitar segue
Agora é o rei da alavanca! Sei lá se é improviso... mas que improviso! Jimi Hendrix iria adorar essa barulheira toda. Ou não. (Paulinha é quem sabe...)

07 Someone else will
Você que conhece o som do Sweet, sentiu falta do tema de David Rose (The Striper), de 1962? A gente imagina que a qualquer momento aparecerá um telão com "aquelas bocas"... Isso é um hard rock de primeiríssima qualidade.

08 Drum solo
E tome 3 minutos de solo de batera. (Caralho, esse Mick Tucker sabe bater um bumbo...)

09 Set me free
Sinceridade? Não gostei da introdução. Mas Set me Free é Set me Free! E com alguns trechinhos trash! (ops). E aos dois minutos e poucos um diálogo entre guitarra e teclados "à la Jornal Nacional" (poutz!!). Aos quatro minutos somem os ecos originais cantados pelo Brian e surge um "spiritualized" improvável (mas com gritinhos). E Paul começa a brincar com o público que demora um pouco pra acordar.

10 Ballroom blitz
Para muitos o clássico absoluto do Sweet. Pelo menos é a mais conhecida. Mas perdeu um pouco sem o checklist original (mas nem podia, é ou não é?). Mais um diálogo jazzístico entre guitarra e piano aos dois minutos e meio quando vem uma grata surprêsa: I'm Not Talking, dos Yardbirds. Um barato. E dê-lhe Ballroom Blitz.

11 Fox on the run
Andy Scott anuncia essa como sendo a última do show. Outra "pedra preciosa" da banda. E não é que mostraram o high-pitch? Ainda gosto mais do vocal do Brian Connolly. Mas não tem como deixar de respeitar um vocalista bom como esse tal de Paul Mario Day. E aquele final apoteótico de garotinho que conseguiu perder a vingindade com a Gisele Bündchen?... quando voltam com o Love is like oxigen. E os garotinhos ovacionando... (mamãe quero mais Gisele!).

E assim termina a farra ao vivo. As outras músicas são em estúdio e boas também. Mas estão lhes faltando-lhes glamour! Grana eles tinham...

12 Shot down in flames
É um "pá-túm-túm", sem grandes conseqüências. Me parece um estilo "à la Europe". Peço que me corrijam... Bom solo de guitarra e arranjos vocais, mas, na minha porca opinião, nada além do esperado.

13 Over my head
Claro, bons vocais (me parece com um "fazerzin"), mas muito pop pro meu gosto. Altamente dançável. Tudo equalizado muito igual; deviam ter dado mais destaque para o solo de guitarra, por exemplo; o vocal está um pouco atrás. A linha de baixo é a básica, mas boa. Poderiam ter enfeitado mais.

14 Jump the fence
Já havia sido gravada quando o Sweet era um trio com o Steve Priest. Uma reza com a bateria atrás, marcando, alguns efeitos legais, algumas quebras de compasso, um baixo grave puxando o samba, uma boa virada de bateria, gritinhos, gritinhos, e um pouco de psicodelia. Quando eu achei que estaria partindo para uma pega funk-soul boa... acaba em fade out. Pô. Magoei.

15 Reach out (I'll be there)
É um "pokotó" eletrônico, bem dançante, bem pop. Parece-me que o Sweet estava tentando voltar ao bubblegum, emendando com o hino da pop-bubblegum-soul motown "Reach Out I'll be there". De quem era, mesmo? Ora, mas é claro... The Four Tops!! Música número 1 absoluto em todas as paradas de 1966. Excelente (com os Four Tops).

16 Gunner of love (demo)
Pá-pum, pá-pum, paka-tá, paka-túm...

17 Fire in my heart (demo)
Desperdício de baterista para uma batida tão-tão. Faltou criatividade, mas bons solos de guitarra e arranjos vocais característicos. Em certo ponto da música a tentativa de uma bridge teaser com a batera em "Pá, Pá-pá, Pá, Pá-pá, Pá, Pá-pá", prometendo mas não cumprindo.
18 Action (version 1988)
E mais uma vez a imperecível, imorredoira, inexpugnável Action. Porém, corrijam-me: parece-me o vocal do Brian Connolly, mas um pouco derrubado. Ou então o Paul Day encheu a macaca de porrada! Boa versão, no entanto. Mas esclareço: é a banda do Brian: Brian Connolly's Sweet, ou BC'Sweet.

19 Ballroom blitz (version 1988)
Mais uma versão da banda do Brian. O "checklist" inicial é improvável: "Are you ready Steve? (Fuck you), Andy (haha), Mick (so fucks in hell)". Os fãns mais arraigados poderiam confirmar isso. Aliás, embora o arranjo esteja tão fiel ao original quanto possível, acabou ficando uma merda, salvo pela curiosidade...

20 Action (backtrack version 1988)
E ei-la novamente. Ela, a sempre presente, a invencível, a indestrutível, a inabalável, a onipresente, a ubíqua. Escolha sua versão... Agora, quem canta... não faço a menor idéia!...

Bem, coisinhos e coisinhas. Deliciem-se com essa maravilhosa seleção do Sweet, especialmente (e muito especialmente mesmo) a apresentação no Marquee Club. Aguardo os comentários e críticas colaboradoras. Ou não. Paulinha é quem sabe...