terça-feira, 28 de outubro de 2008

JÁ LHES APRESENTEI A GINA?

Em minhas recentes viagens interespaçotemporais, conheci uma venusiana e fomos dar uma voltinha no carro dela. Guardei este pequeno vídeo como recordação...





(originalmente em http://blog.uncovering.org/archives/2008/07/bmw_gina_concept.html)

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sábado, 18 de outubro de 2008

JÁ QUE 'NAVEGAR É PRECISO', procure saber se são seguras as águas em que navegas.



Visite esse site da McAfee.
Segundo eles, testam a Web para ajudar a proteger você contra spyware, spam, vírus e fraudes on-line.
Talvez no fundo queiram apenas saber o que você anda fazendona vida, pesquisar mais ainda as navegabilidades, avaliar a confiabilidade dos usuários em seus produtos, bla-bla-bla...Entretanto, oferecem informações interessantes.

Confira.
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sexta-feira, 3 de outubro de 2008

EU TOCO O SAXOFONE. (by Delta9)


Chovia.

Eram quatro e meia da manhã quando cheguei com meu saxofone no estojo e a vi na calçada, em frente à porta… fechada. Malas nas mãos, as dela e as minhas.

— Aqui não dá mais…

Não quis saber seus motivos. Na verdade, eu já os sabia, mesmo sem querer. O silêncio dela, a forma como me olhava, reparando mais no nó desfeito da minha gravata do que em mim mesmo; o modo como ela retirava aquele pedaço de esmalte descascado da unha, sem qualquer interesse a não ser o de ir adiante, falavam mais que tudo.

O ruído da chuva, caindo nos telhados, embora pouca, me parecia ensurdecedor. Oprimia-me de tal forma que eu precisava seguir com ela.

Momentos depois chegamos à pensão de D. Gigi, uma francesa aposentada da vida noturna. Ela nos atendeu acompanhada de um tal James que nos olhava de cima embaixo, com meio corpo atrás da pensionista. De imediato não nos recebeu. Disse que era uma pensão honesta, onde residiam pessoas de boa reputação. James sorriu de canto de boca, olhando disfarçadamente para baixo. Depois fixou os olhos em nós. Na verdade, ficou vidrado nela. Ela o olhou com ar de deboche e foi falar em reservado com madame Gigi.

Conseguimos um quarto no primeiro andar.

— Vocês podem usar o outro quarto em frente, se precisarem – disse madame Gigi, olhando para ela.
— Ela me disse que o senhor é músico.
Toco saxofone – respondi. Elas se entreolharam sorrindo.

Recolhemo-nos. Retirei meu saxofone do estojo. Ela me lançou um olhar de reprovação. Sem nada responder, guardei-o novamente.

O alvoroço no café da manhã era enorme.
Sozinho, no quarto, comecei a ensaiar, como sempre. Como sempre...

Ouvia risos, passos e atropelos pela escada. Os murmúrios atrás da porta falavam mais dela que de mim.

Voltavam as lembranças de meus antigos recitais, muito antes dela, bem antes de conhecê-la.
Como eu poderia saber que ela viria ser o meu vício, a minha maior inspiração e o meu maior desassossego?

“Um trono para o homem, um altar para a mulher”, disse Victor Hugo. Mas nada sabia eu do amor doentio, do prazer da dor. O parir da dor.
Ainda não sei porque ela está comigo, nem porque ainda a tenho. Tenho-a como a casca da ferida. Não a quero, mas a necessito.
Hoje não me resta inspiração na beleza dos madrigais ou num copo de cognac. Mas nos quadris dela, no seu sorriso malicioso e em seu desprezo.

Ela me deu o prazer de tê-la num modo incomum: no instrumento que toco. Estamos unidos no saxofone. Somos dois, somos três e somos um.
O saxofone me toca.
Eu toco o saxofone.
E, ao tocá-lo, sinto que a toco de uma forma única.

(Texto baseado na crônica O Moço do Saxofone, de Lygia Fagundes Telles)


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UM DIA NO ASILO. (by Delta9)


Era uma vez um asilo...
Não era um asilo grande. Também não era pequeno.
Era apenas um asilo. Muitas vezes, um asilo a duras penas.

Naquele dia fomos ao asilo, eu e minha filha, conhecer as pessoas.
Eu observava minha filha observando as pessoas.

Ela é muito observadora, sorridente, discreta e interessada.

E assim, observando, percebi que num asilo as pessoas se sentem isoladas.

As pessoas mais isoladas são as que não vão aos asilos: sentam-se sozinhas em suas casas, em seus sofás, soltando chiados, pedindo silêncio para assistir a TV.

Minha filha via tudo.
Perguntava muito.
Algumas perguntas eu até conseguia responder.
Outras, não.
Na verdade, a maioria.


Atenta em sua tarefa de engolir o mundo com os olhos, nem percebia que era observada.

Existem muitos velhos num asilo de velhos. Uns mais velhos que os outros. Alguns são velhos por fora, outros o são por dentro.

Será que os visitantes se isolam nos asilos porque encaram o velho que está dentro deles? Ou têm que tropeçar naquela velha dobra de pensamento escondido num canto qualquer de um antigo sentimento terno?


Terno…

Não é um bom traje para usar ao ir a um asilo.
O bom é ter nos pés calçados confortáveis; ter nos olhos um brilho entusiasmado; ter no semblante uma alegria contagiante!…

Que a gente possa se contagiar num asilo. A gente pode contagiar os outros!


Existem pessoas novas no asilo.
Umas mais novas que as outras.


Existem pessoas ricas no asilo.
Existem, também, pessoas pobres; algumas tão pobres que a única coisa que têm é dinheiro.

Existem pessoas fortes no asilo e lá encontramos pessoas fracas, frágeis.

A gente se isola no asilo.
Lá, cada semblante é uma semente!


Lá tem uma velho de chapéu branco.
Suas calças são brancas.
Sua camisa é branca.
Sua barba é branca.
Suas botinas são brancas!
Suas unhas são sujas…
Seu olhar é distante.
E ele se encanta contando contos!

Dizem que o velho é louco.

Existem muitos loucos no asilo.

As pessoas sadias os recebem com alegria, mesmo que eles só apareçam nas visitas.

O asilo isola a gente.
E a gente, assim, se anula.
É só.
É pó.
É chã…


Vem um velhinho e diz: “–Quer mais chá?”

Então, minha filha me contorce com o óbvio:
“–Pai, eles têm filhos?”...



... E lá, isolado, no asilo, olho os olhos de minha filha a me dizerem que
lá no asilo, cada semblante é uma semente que
fica, assim, plantada
dentro da gente.




Dia 27/9 foi Dia do Idoso. Dia 12/10 será Dia da Criança. E nesse intervalo, cá estamos nós...
Cinco anos do Estatuto do Idoso... Salvem os velhinhos!!




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