segunda-feira, 3 de março de 2008

María Sabina - 1956 - Mushroom Ceremony of the Mazatec Indians of Mexico

Quem foi Maria Sabina?

Essa índia mazateca nascida aos 17/03/1894, num rancho em Huautla de Jimenez, Oaxaca, falecida em 22/11/1985, nas mesma Oaxaca, chegou a viver mais de 90 anos. Uma senhora que nunca aprendeu a ler; nunca aprendeu a falar espanhol. Tinha fama de curandeira, pois curou-se a si própria, e à sua irmã (já desenganada) com a sabedoria de seus antepassados sobre o manejo dos cogumelos sagrados.

Talvez a indígena mais famosa do México, graças às pesquisas desenvolvidas pelo casal Robert Gordon Wasson e Valentina Pavlovna, casados desde 1926, em Londres, ele estadunidense e ela russa.
Eles faziam pesquisas - nas horas livres e nas férias - sobre os cogumelos silvestres, e sobre as caraterísticas "micófilas" e "micófobas" (neologismos deles) de algumas sociedades.

Além de vice-presidente da J.P. Morgan, ele era um aventureiro. Com o auxílio de Robert Wetlaner, em 1953 (ele já com 55 e ela com 52 anos) chegaram a Huautla de Jimenez, Oaxaca, em busca do cogumelo que lá era considerado sagrado.

Gordon também havia sido reporter do Herald Tribune e durante o tempo que foi executivo, continuou suas investigações sobre o que chamou "Etnomicologia": a relação entre o homem antigo e os cogumelos sagrados.

Assim, por intermédio de seu artigo Culto aos cogumelos sagrados, publicado na edição de junho de 1957, da revista Life (em inglês), o mundo intelectual passou a conhecer Maria Sabina e seus rituais sagrados. Ao escrever a reportagem, Wasson tinha em mente o compromisso com Maria Sabina de não revelar o uso secreto do TEONANACATL sagrado. Talvez por não entender o sentido de tal compromisso, escreveu que tal experiência ocorreu na Serra Mixteca do sul do México, assistido pela curandeira Eva Mendez.

O material de pesquisa, as rezas, os contos, foram registrados, e lançados em um LP.

Depois, sua história foi registrada no filme Maria Sabia: mujer espírito, produzido por Nicholas Echerria.

Dentre as repercussões do encontro Wasson-Sabina encontram-se o isolamento dos princípios ativos dos cogumelos sagrados (psilocybina e psilocina) que foram sintetizados em laboratórios de Basiléia, Suiça, pelo Doutor Albert Hoffmann, descobridor do LSD, outro alucinógeno inicialmente considerado medicinal e pelo seu mau uso foi proibido pelas leis norteamericanas dos anos 70. Aconteceu o mesmo com os fungos de Huautla quando foram incluídos no código sanitário em 1971, proibindo seu uso e tráfico.

Wasson escreveu em 1983 que, por consequência de seus artigos na revista Life, uma turba de buscadores de emoções que queriam "fungos mágicos" caíram sobre Huautla de Jimenez - hippies, psiquiatras heterodoxos, pessoas estravagantes, e ainda guias turísticos com seus dóceis rebanhos -, alterando e corrompendo a vida calma e tranquila que haviam tido, ao menos superficialmente, um idílico povo indígena, deplorando a canalhice daquela gente.

Maria Sabina sempre procedia entendendo que aqueles que buscavam o sagrado TEONANACATL, buscavam Deus. (No arquivo encontra-se também o texto em espanhol elaborado por Álvaro Estrada, biógrafo de Maria Sabina, em PDF, de onde me baseei para este comentário).

Portanto, a psicodelia desses antigos xamãs - estejam eles na sibéria, na china ocidental, entre os esquimós, entre os indígenas da américa e da áfrica - sempre foi em seu sentido original, transcendental. E não essa miserável "prostituição dos sentidos" espalhada por aí afora, que tem trazido mais mal que bem.


2 comentários:

Neide disse...

Olá Delta tudo bem? Se você não se importa, eu gostei tanto deste post que vou subir este álbum em outro link e postar por lá...
Obrigada, abraços...

Delta9 disse...

Oi, Neide.
Use e abuse.
Grato pela visita.