Finalmente liberto-o dessa angústia infinita e concluo esta que, certamente e com certêeiza, é uma das postagens, feitas por esse ser interplanetário residente em seu planeta de origem, que mais contribuição trará ao futuro incólume do pensamento humano. Passado, ou não...Claro que muitos não levarão à sério este tema devido à minha abordagem ou abalroagem textual.
Mas quem viver verá... Eu sou a mosca na sopa do prato de Castañeda.
V. O TEMPO VISTO DA MÁQUINA
Notemos que há dois Passados para a Máquina: o passo anterior ao nosso próprio presente, ou passado real, e o passado construído pela Máquina quando ela volta ao nosso presente, e que não é senão a reversibilidade do Futuro.
Assim, a Máquina não podendo atingir o Passado real senão depois de ter percorrido o Futuro, ela passa por um ponto simétrico ao nosso Presente, ponto morto, como ele, entre futuro e passado, e que nós designaríamos justamente por Presente imaginário.
O Tempo deverá assim ser Presente para o Explorador sobre a Máquina como uma curva, ou melhor, uma superfície curva fechada análoga ao éter Aristotélico. Nós próprios escrevemos (Acções e Opiniões, liv. VIII) outrora por uma razão diferente Eteriedade. O observador privado de Máquina vê a extensão do Tempo abaixo da metade, sensivelmente como se julgava ver primeiramente a Terra plana.
Deduzimos facilmente da marcha da Máquina, uma definição da Duração.
Considerando que ela é redução de T a 0 e de 0 a -T, diremos: A duração é a transformação de uma sucessão numa reversão.
Noutras palavras: O devir de uma memória.
Doutor Faustroll
***
Agradeço ao Dr Faustroll por presentear-nos com uma pérola filófica de grande transcendência, a frase: O DEVIR DE UMA MEMÓRIA.
E não é?!......
Agora preste muita atenção no que vem a seguir e que está profunda e visceralmente ligado ao conjunto dessas postagens sobre a Construção da Máquina do Tempo e sua síntese experimental: a reversibilidade.
Conselhos de uma lagarta.
A Lagarta e Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.
"Quem é você?", perguntou a Lagarta.
Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: "Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.
"O que você quer dizer com isso?", perguntou a Lagarta severamente. "Explique-se!"
"Eu não posso explicar-me, eu receio, Senhora", respondeu Alice, "porque eu não sou eu mesma, vê?"
"Eu não vejo", retomou a Lagarta.
"Eu receio que não posso colocar isso mais claramente", Alice replicou bem polidamente, "porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos tamanhos diferentes em um dia é muito confuso."
"Não é", discordou a Lagarta.
"Bem, talvez você não ache isso ainda", Alice afirmou, "mas quando você transformar-se em uma crisálida - você irá algum dia, sabe - e então depois disso em uma borboleta, eu acredito que você irá sentir-se um pouco estranha, não irá?"
"Nem um pouco", disse a Lagarta.
"Bem, talvez seus sentimentos possam ser diferentes", finalizou Alice, "tudo o que eu sei é: é muito estranho para mim.
"Você!", disse a Lagarta desdenhosamente. "Quem é você?"
O que as trouxe novamente para o início da conversação. Alice sentia-se um pouco irritada com a Lagarta fazendo tão pequenas observações e , empertigando-se, disse bem gravemente:"Eu acho que você deveria me dizer quem você é primeiro."
"Por quê?", perguntou a Lagarta.
Aqui estava outra questão enigmática, e, como Alice não conseguia pensar nenhuma boa razão, e a Lagarta parecia estar muito chateada, a menina despediu-se.
"Volte", a Lagarta chamou por ela. "Eu tenho algo importante para dizer!"
Isso soava promissor, certamente. Alice virou-se e voltou.
"Mantenha a calma", disse a Lagarta.
"Isso é tudo?", retrucou Alice,engolindo sua raiva o quanto pôde.
"Não", respondeu a Lagarta.
Alice pensou que poderia muito bem esperar, já que não tinha nada para fazer, e talvez no fim das contas ela poderia dizer algo que valesse a pena. Por alguns minutos a Lagarta soltou baforadas do seu cachimbo sem falar; afinal, ela descruzou os braços, tirou o narguilé da boca novamente e disse: "Então você acha que mudou, não é?"
"Temo que sim, Senhora", respondeu Alice. "Não consigo lembrar das coisas como antes - e não mantenho o mesmo tamanho nem por dez muinutos!"
"Não consegue lembrar que coisas?", continuou a Lagarta.
"Bem, eu tentei recitar "Como a abelhinha estava atarefada, mas fiz tudo diferente!"
Alice replicou numa voz muito melancólica.
"Repita "Você está velho, Pai William", pediu a Lagarta.
Alice cruzou as mãozinhas e começou:
"Você está velho, Pai Joaquim", disse o jovem,
"E seu cabelo está ficando branquinho,
Mas você ainda planta bananeira,
Você acha, que na sua idade, isso está certo?"
"Na minha juventude", Pai Joaquim respondeu,
"Tinha medo de perder a cabeça,
Mas agora eu sei que não posso perder,
Porque não paro de plantar bananeira e estou inteiro."
"Você está velho, já falei uma vez", retrucou o jovem,
"E está engordando demais,
Mas ainda entra aqui dando cambalhotas,
Por favor, como você faz isso?"
"Na minha juventude", disse o velho,
"Eu me mantive em forma,
Usando esse ungüento - é bem baratinho,
Posso vender uns dois potes para você!"
"Você está velho", disse o jovem, "e seus dentes estão fraquinhos
Para mastigar qualquer coisa dura.
Mas você ainda come um ganso com osso e tudo,
Por favor, como você faz isso?"
"Na minha juventude", disse o velho, "eu acreditava na Lei,
E discutia tudo com minha mulher.
O treino que fiz naquela época,
Durou para o resto da minha vida!"
"Você está velho", disse o jovem, "e ninguém pode acreditar
que você ainda enxerga bem.
Mas ainda assim você equilibra uma enguia na ponta do nariz.
O que deixou você tão esperto?"
"Já lhe respondi três perguntas, agora chega!"
Disse o velho, "e não pense que você me agrada!
Você acha que vou perder meu dia ouvindo suas bobagens?
Pode sumir, ou vai levar um pontapé no traseiro!""Isso não está dito certo", disse a Lagarta.
"Não bem certo, eu receio", respondeu Alice timidamente, "algumas das palavras podem ter sido trocadas".
Poema de Robert Southney para a edificação moral dos jovens, presente em antologias escolares, na época, e decorado pelos estudantes. As duas primeiras estrofes (em tradução literal0 dão uma idéia do seu teor:
"Estás velho, pai William", gritou o moço, "os poucos cabelos que te restam são grisalhos.
"És robusto, pai William, és um velho vigoroso. Peço que me digas a razão."
"Nos dias de minha juventude", pai William respondeu, "eu me lembrei que a mocidade passaria logo."
"E não abusei de minha saúde nem esgotei o meu vigor, para não ficar privado deles depois!".
Nota de Isabel de Lorenzo, no livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol (Charles Lutwidge Dodgson), Editora Sol (comprado baratinho, baratinho, num sebo...)
"Está errado do começo ao fim", afirmou a Lagarta decididamente. Então fez-se um silêncio por alguns minutos.
A Lagarta foi a primeira a falar.
"De que tamanho você quer ser?", ela perguntou.
"Oh, eu não ligo para qual tamanho", respondeu Alice apressadamente, "apenas um que não fique mudando sempre, a senhora sabe."
"Eu não sei", retrucou a Lagarta.
Alice não disse mais nada: ela nunca fora tão contradita em toda sua vida antes e sentia que estava perdendo a paciência.
"Você está satisfeita agora?", indagou a Lagarta.
"Bem, eu gostaria de ser um pouco maior, Senhora, se não se importar", disse Alice, "oito centímetros é um tamanhozinho meio pequeno demais."
"É um ótimo tamanho certamente!", vociferou a Lagarta, levantando-se enquanto falava (ela tinha exatamente oito centímetros de altura).
"Mas eu não estou acostumada com isso!", alegou a pobre Alice em um tom consternado .
"Você se acostumará com o tempo", retrucou a Lagarta, e colocou o narguilé na boca, começando a fumar novamente.
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