quarta-feira, 10 de fevereiro de 2010

O uso sacramental de plantas enteógenas (e sua banalização)!

Por: Thiago Cavalcanti em 23.jun.2009. Postagen original no blog eZine.Raveway.



7-Flor (equivalente ao Deus asteca Pilzintecuhtli)
segurando cogumelos enteógenos
(Codex Vindobonensis, cultura Mixteca)


Desde tempos primordiais, o homem vem explorando a natureza e seus poderes, se misturando ao seu próprio habitat. Nele, os povos antigos encontraram espécies de vegetais resistentes para a construção de habitações e embarcações, tendo sido fundamental para a própria fixação e expansão de domínios, desbravando mares.

Expandiram também sua sabedoria em relação às propriedades medicinais dos vegetais, e vieram a descobrir algo que mudaria a sociedade mundial totalmente: que certas plantas podem alterar a consciência e percepção humanas. Nos dias de hoje, conhecemos tais plantas como enteógenas. Enteógeno, ou, a grosso modo, “Deus dentro”, é um termo apropriado para as conhecidas “plantas sagradas” ou “plantas de poder”. Há milênios, o homem vem fazendo uso dessas plantas, em busca de conhecer melhor a si mesmo, de entrar em contato com o divino, de transcender o plano material.

Através dos enteógenos, a vida ganhava novos sentidos, o homem passava a compreender melhor tudo aquilo que ocorria a seu redor, no Universo, enxergou e empreendeu caminhos além da carne, caminhos espirituais, menos egoístas. As plantas ensinavam, e ainda continuam a ensinar, muitas coisas aos seres humanos.

Infelizmente, nos dias de hoje a maioria se esqueceu disso, e acabou por desvirtuar o uso dessas plantas, buscando apenas o prazer entorpecido em um momento de vazio. O governo dos poderosos botou a culpa nas plantas, chamando-as de drogas e as proibindo. Na verdade, a droga está dentro dos homens e de seus pensamentos, seus intuitos, e não nas plantas. São eles quem, ao fazer uso exagerado e inconsciente, acabam se drogando cada vez mais, ao vibrarem pela simples diversão fútil e vazia.

Portanto, devemos nos conscientizar antes de julgar essa complexa questão. Boa parte das culturas modernas vive um “inconsciente coletivo” (fruto, em especial, do marketing dos poderosos no passado), onde os pré-conceitos estão enraízados e rotulam as plantas como “coisas do mal”.

Não que isso seja apologia, mas que seja dita a verdade: o homem é o mal da natureza, e não o contrário. Pense bem antes de convidar a natureza para comungar do seu ser, pois o seu intuito ao fazer esse convite é definitivo e é desse intuito que o convidado irá se servir: você mesmo.

(Originalmente publicado na fanzine do SoulVision Festival de 2008, por Thiago Cavalcanti, que um dia também esteve preso aos pré-conceitos enraízados na nossa sociedade)



Pipilzitzinti
Alucinógeno
Associação Teotl: Pilzintecuhtli
Nome científico europeu: Salvia divinorum
Nome europeu comum: Hierba Maria



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