domingo, 1 de agosto de 2010

A música em 2030!

Em 2030 a capacidade auditiva das pessoas estará reduzida a apenas 10% da atual (já com deficiências).

A música oriental de origem sino-siberiana estará imperando em todo o globo.

O revival será a musica de vanguarda dos anos 50. John Cage terá uma estátua erigida em frente ao Louvre. Haverão festivais dedicados unicamente à execução de sua peça 4'33'' (quatro minutos e trinta e três segundos), por dias.

Não haverão mais aparelhos que toquem MP3s, nem DVDs, nem CDs, nem vinys. Em seu lugar haverão smokey-bubles: a música será percebida pela inalação dos smokees (na verdade, nanoscópicas partículas que registram a música diretamente no cérebro). Embora as 'smobles' (forma sincopada de smokey-bubles) somente sejam distribuídas mediante aquisição de certificado de propriedade conseguida a preços mórbidos, digo, módicos, poderão ser encontradas 'smobles' similares (chamadas no Brasil 'móbus') em mercados paralelos undergrounds, nos lugares que antigamente eram utilizados para o comércio de drogas ilícitas. As drogas lícitas continuarão sendo utilizadas por toda a sociedade civilizada, porém somente por intermédio da indústria alimentícia.

Paul McCartney fará sua última apresentação solo no Grammy cantando Helter Skelter no ukalele em uma nova versão monotônica minimalista, aclamado efusivamente, sendo reconhecida a sua vertente vanguardista.
Na verdade, grande parte do público comparecerá ao espetáculo para apreciar o lançamento dos novos empreendimentos de Ringo Star: imóveis mobiliados na Lua e lançamento da banda The Treatles empresariada por seu filho Zak (em sociedade com James, affair confirmadíssimo com Sean, solucionando de vez um lendário conflito no meio, iniciado em 1968). Ringo estará assinando contrato para lançamento de mais 5 smokey-bubles para os próximos 10 anos (até 2040), incluindo agenda de shows com reservas já esgotadas.

Os Stones farão shows de 20 minutos apenas (e à capela) com intervalos de 5 minutos para hidratação e troca de fraldas. O ápice dos shows será o anúncio do fim da banda e a assertiva de Jagger em estar cantando (I can't get no) Satisfaction pela última vez.

Lady Gaga terá sua 50ª coletânea de grandes sucessos póstumos bombando por todo lado (em 'mobus').

Após confirmado que o desaparecido Marilyn Mason realmente era de Vênus, serão encontrados fortes indícios de que seu pai real era David Bowie, que era de Marte.

No Brasil, o samba deixará de existir, salvo em clubes privès.

Para as elites sócio-econômico-étno-antropofágicas a música brasileira sofrerá um revival alucinante e Aracy de Almeida finalmente terá sua importância reconhecida.

Os CDs, DVDs e MP3s de pagodes serão mercadorias raras e extremamente valorizadas, especialmente devido não haver tecnologia que os reproduza, salvo por métodos científicos utilizados por ávidos colecionadores.

O ritmo do momento, no Brasil, será o da-ni-se, uma mescla de escalas indianas com sertanejo raiz universitário de origem texana e terão como grandes representantes as lendárias duplas Ranqui e Uílians, Uilinéuson e Dimirrojer e as incríveis Chania e Dolly (a última, herdeira da extinta marca de refrigerantes - que já havia sido adquirida pela Coca-Cola antes desta abandonar o ramo de bebida sócio-cultural e tornar-se a segunda maior empresa fornecedora de gás do planeta; a primeira será a Monsanto proprietária absoluta e incondicional de toda a cadeia genética bovina da Terra).

Será constatado, para surpresa geral, que Roberto Carlos é filho do mexicano Ricardo Gonzalo Pedro Montalbán Merino e fora adotado por D. Laura, de reputação ilibada, quando Ricardo esteve no Brasil e teve um affair com uma vizinha de D. Laura. Daí a afinidade de Roberto com Erasmo Esteves.

Tom Zé, sempre ativo, lotará casas de espetáculo com seu show Aonde a Vaca Vai..., acompanhado somente por um berimbau, e um escovão com palha de aço utilizado por seus músicos de apoio efetuando coreografias em filas indianas descrevendo círculos concêntricos, numa alusão incisiva às coreografias de Gurdjieff.

Enfim, em 2030, não haverá nada de novo.

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