"It’s the plan of the house, It’s the body in bed, It’s the car that got stuck, It's the mud, it's the mud..." (Tom Joe Bean / David Berne)
Estou com saudades das imagens do Haiti, aonde os nossos valorosos e heróicos militares prestam serviços relevantes para a recrudescência intensa daquele singelo país. Sujeitos a morrerem vítimas de terremoto ou por 'acidentes com arma de fogo'. Claro que, em troca, percebem belas diárias (os militares). Não por dever, mas por direito.
Sinto saudades das imagens dos nobres policiais militares, insistentemente veiculadas em horários igualmente nobres, homens intrépidos, destemidos e desarmados de apegos materiais, sujeitos a desalmados facínoras (pastores ou não) e entregues ao perigo eminente (sic), naquele esforço hercúleo, colossal, espetacular, fantástico, de pacificar aquelas comunidades depositadas, ao longo da história, nos morros cariocas.
Só em pensar nos escândalos financeiros, políticos, policiais, judiciais e coisas e tais, que não mais aparecem nos canais, uma lágrima solitária escorre de meu olhar depositando-se, sobre o meu seio esquerdo, à altura de meu sôfrego músculo cardíaco...
Entretanto, pasmo-me, menos pela notícia que por meu espanto: atrozes criaturas de alma negra, seguramente downlodados de um residente evil qualquer, desviando donativos daqueles que perderam suas residencias, vilas e vidas.
Suspendo meu espanto por um tempo aguardando os velhos turíbulos políticos a incensar os 27 incisos do art 24 da Lei 8666, a Lei das Licitações, que trata da dispensa da licitação. Algo alusivo aos astronautas flutuando em suas naves, dando a entender que foram dispensados da gravidade (quando efetivamente estão caindo sem parar). Nesse turíbulo áureo cabe uma pedrinha especial de sua mirra cara aos incisos III e IV, casos de perturbação da ordem, emergência ou calamidade pública. É a farra do boi. O último berro da vaca louca, profana. Tudo po$$o naquele que me fortale$$e.
Minha pasmaceira mental mistura-se com a outra pasmaceira midiática, acompanhando o caminho das doações. Quero, sim que minhas doações (aquela lata de goiabada, um colchonete velho e algumas roupas usadas que já não me faziam falta) seja seguidas, sim, por microcâmeras semelhantes às utilizadas nas pranchas das celebridades das Ondas de Noronha II. Sigam, muito especialmente com a supercâmera lenta, as verbas não licitadas, as doações superfaturadas às mais diversas fundações e ONGs para abatimento no imposto de renda; os projetos engavetados, as desapropriações dos imóveis avariados e posteriores aquisições desses bens (depois de 'limpos', claro). Sigam os tijolos e encontrarão as vidraças (ou os alicerces).
Proponho, desde já, uma contraproposta à impotência midiática jornalística, que só é boa de língua: acompanhar os caminhos e descaminhos desse mar de lama que assola a hipócrita sociedade econômica brasileira, anônima ou não, prestando um inabalável auxílio aos ínclitos magistrados, egrégios tribunais e colendas autoridades responsáveis pela fiscalização dessas tantas contas. Ou acabaremos naquele estupor estúpido ao constatar que, nesse país impávido colosso, deitado eternamente em berço esplêndido, cabe aos mortos enterrarem seus mortos.
".... Os homens perdem a saúde para juntar dinheiro, depois perdem o dinheiro para recuperar a saúde. E por pensarem ansiosamente no futuro esquecem do presente de forma que acabam por não viver nem no presente nem no futuro. E vivem como se nunca fossem morrer... e morrem como se nunca tivessem vivido." (Dalai Lama)
sábado, 22 de janeiro de 2011
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2 comentários:
Sim, a interpretação é da Olga P. Coelho se acompanhando ao violão em "meu limão, meu limoeiro". Infelismente o Brasil vive um mal de alzheimer em torno da MPB. Abraços
Thais Matarazzo, agradeço sua resposta à minha pergunta ao visitar seu blog. Embora um leitor desavisado possa despensar que o comentário da Thais seja a respeito do texto acima, não. Portanto, voltamos apo cosmos e saímos do caos.
Postarei algo sobre essa canção belíssima e trigueira "Meu Limão, Meu Limoeiro", que nada tem a ver com "O Meu Pé de Laranja Lima" (ou será que tem). Afinal, aonde fui buscar essa idéia?! Só pode ter parido sozinha (maiêutica propedêutica...)
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