sábado, 4 de julho de 2009

COMENTÁRIO E INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO PRÁTICA DA MÁQUINA DO TEMPO - parte 5/5

Finalmente liberto-o dessa angústia infinita e concluo esta que, certamente e com certêeiza, é uma das postagens, feitas por esse ser interplanetário residente em seu planeta de origem, que mais contribuição trará ao futuro incólume do pensamento humano. Passado, ou não...
Claro que muitos não levarão à sério este tema devido à minha abordagem ou abalroagem textual.
Mas quem viver verá... Eu sou a mosca na sopa do prato de Castañeda.



V. O TEMPO VISTO DA MÁQUINA

Notemos que há dois Passados para a Máquina: o passo anterior ao nosso próprio presente, ou passado real, e o passado construído pela Máquina quando ela volta ao nosso presente, e que não é senão a reversibilidade do Futuro.

Assim, a Máquina não podendo atingir o Passado real senão depois de ter percorrido o Futuro, ela passa por um ponto simétrico ao nosso Presente, ponto morto, como ele, entre futuro e passado, e que nós designaríamos justamente por Presente imaginário.

O Tempo deverá assim ser Presente para o Explorador sobre a Máquina como uma curva, ou melhor, uma superfície curva fechada análoga ao éter Aristotélico. Nós próprios escrevemos (Acções e Opiniões, liv. VIII) outrora por uma razão diferente Eteriedade. O observador privado de Máquina vê a extensão do Tempo abaixo da metade, sensivelmente como se julgava ver primeiramente a Terra plana.

Deduzimos facilmente da marcha da Máquina, uma definição da Duração.

Considerando que ela é redução de T a 0 e de 0 a -T, diremos: A duração é a transformação de uma sucessão numa reversão.

Noutras palavras: O devir de uma memória.

Doutor Faustroll

***


Agradeço ao Dr Faustroll por presentear-nos com uma pérola filófica de grande transcendência, a frase: O DEVIR DE UMA MEMÓRIA.


E não é?!......

Agora preste muita atenção no que vem a seguir e que está profunda e visceralmente ligado ao conjunto dessas postagens sobre a Construção da Máquina do Tempo e sua síntese experimental: a reversibilidade.


Conselhos de uma lagarta.

A Lagarta e Alice olharam-se uma para outra por algum tempo em silêncio: por fim, a Lagarta tirou o narguilé da boca, e dirigiu-se à menina com uma voz lânguida, sonolenta.

"Quem é você?", perguntou a Lagarta.

Não era uma maneira encorajadora de iniciar uma conversa. Alice retrucou, bastante timidamente: "Eu - eu não sei muito bem, Senhora, no presente momento - pelo menos eu sei quem eu era quando levantei esta manhã, mas acho que tenho mudado muitas vezes desde então.

"O que você quer dizer com isso?", perguntou a Lagarta severamente. "Explique-se!"

"Eu não posso explicar-me, eu receio, Senhora", respondeu Alice, "porque eu não sou eu mesma, vê?"

"Eu não vejo", retomou a Lagarta.

"Eu receio que não posso colocar isso mais claramente", Alice replicou bem polidamente, "porque eu mesma não consigo entender, para começo de conversa, e ter tantos tamanhos diferentes em um dia é muito confuso."

"Não é", discordou a Lagarta.

"Bem, talvez você não ache isso ainda", Alice afirmou, "mas quando você transformar-se em uma crisálida - você irá algum dia, sabe - e então depois disso em uma borboleta, eu acredito que você irá sentir-se um pouco estranha, não irá?"

"Nem um pouco", disse a Lagarta.

"Bem, talvez seus sentimentos possam ser diferentes", finalizou Alice, "tudo o que eu sei é: é muito estranho para mim.

"Você!", disse a Lagarta desdenhosamente. "Quem é você?"

O que as trouxe novamente para o início da conversação. Alice sentia-se um pouco irritada com a Lagarta fazendo tão pequenas observações e , empertigando-se, disse bem gravemente:"Eu acho que você deveria me dizer quem você é primeiro."

"Por quê?", perguntou a Lagarta.

Aqui estava outra questão enigmática, e, como Alice não conseguia pensar nenhuma boa razão, e a Lagarta parecia estar muito chateada, a menina despediu-se.

"Volte", a Lagarta chamou por ela. "Eu tenho algo importante para dizer!"

Isso soava promissor, certamente. Alice virou-se e voltou.

"Mantenha a calma", disse a Lagarta.

"Isso é tudo?", retrucou Alice,engolindo sua raiva o quanto pôde.

"Não", respondeu a Lagarta.

Alice pensou que poderia muito bem esperar, já que não tinha nada para fazer, e talvez no fim das contas ela poderia dizer algo que valesse a pena. Por alguns minutos a Lagarta soltou baforadas do seu cachimbo sem falar; afinal, ela descruzou os braços, tirou o narguilé da boca novamente e disse: "Então você acha que mudou, não é?"

"Temo que sim, Senhora", respondeu Alice. "Não consigo lembrar das coisas como antes - e não mantenho o mesmo tamanho nem por dez muinutos!"

"Não consegue lembrar que coisas?", continuou a Lagarta.

"Bem, eu tentei recitar "Como a abelhinha estava atarefada, mas fiz tudo diferente!"

Alice replicou numa voz muito melancólica.

"Repita "Você está velho, Pai William", pediu a Lagarta.

Alice cruzou as mãozinhas e começou:

"Você está velho, Pai Joaquim", disse o jovem,
"E seu cabelo está ficando branquinho,
Mas você ainda planta bananeira,
Você acha, que na sua idade, isso está certo?"

"Na minha juventude", Pai Joaquim respondeu,
"Tinha medo de perder a cabeça,
Mas agora eu sei que não posso perder,
Porque não paro de plantar bananeira e estou inteiro."

"Você está velho, já falei uma vez", retrucou o jovem,
"E está engordando demais,
Mas ainda entra aqui dando cambalhotas,
Por favor, como você faz isso?"

"Na minha juventude", disse o velho,
"Eu me mantive em forma,
Usando esse ungüento - é bem baratinho,
Posso vender uns dois potes para você!"

"Você está velho", disse o jovem, "e seus dentes estão fraquinhos
Para mastigar qualquer coisa dura.
Mas você ainda come um ganso com osso e tudo,
Por favor, como você faz isso?"

"Na minha juventude", disse o velho, "eu acreditava na Lei,
E discutia tudo com minha mulher.
O treino que fiz naquela época,
Durou para o resto da minha vida!"

"Você está velho", disse o jovem, "e ninguém pode acreditar
que você ainda enxerga bem.
Mas ainda assim você equilibra uma enguia na ponta do nariz.
O que deixou você tão esperto?"

"Já lhe respondi três perguntas, agora chega!"
Disse o velho, "e não pense que você me agrada!
Você acha que vou perder meu dia ouvindo suas bobagens?
Pode sumir, ou vai levar um pontapé no traseiro!"

"Isso não está dito certo", disse a Lagarta.

"Não bem certo, eu receio", respondeu Alice timidamente, "algumas das palavras podem ter sido trocadas".

Poema de Robert Southney para a edificação moral dos jovens, presente em antologias escolares, na época, e decorado pelos estudantes. As duas primeiras estrofes (em tradução literal0 dão uma idéia do seu teor:

"Estás velho, pai William", gritou o moço, "os poucos cabelos que te restam são grisalhos.
"És robusto, pai William, és um velho vigoroso. Peço que me digas a razão."

"Nos dias de minha juventude", pai William respondeu, "eu me lembrei que a mocidade passaria logo."
"E não abusei de minha saúde nem esgotei o meu vigor, para não ficar privado deles depois!".

Nota de Isabel de Lorenzo, no livro Alice no País das Maravilhas, de Lewis Carrol (Charles Lutwidge Dodgson), Editora Sol (comprado baratinho, baratinho, num sebo...)

"Está errado do começo ao fim", afirmou a Lagarta decididamente. Então fez-se um silêncio por alguns minutos.

A Lagarta foi a primeira a falar.

"De que tamanho você quer ser?", ela perguntou.

"Oh, eu não ligo para qual tamanho", respondeu Alice apressadamente, "apenas um que não fique mudando sempre, a senhora sabe."

"Eu não sei", retrucou a Lagarta.

Alice não disse mais nada: ela nunca fora tão contradita em toda sua vida antes e sentia que estava perdendo a paciência.

"Você está satisfeita agora?", indagou a Lagarta.

"Bem, eu gostaria de ser um pouco maior, Senhora, se não se importar", disse Alice, "oito centímetros é um tamanhozinho meio pequeno demais."

"É um ótimo tamanho certamente!", vociferou a Lagarta, levantando-se enquanto falava (ela tinha exatamente oito centímetros de altura).

"Mas eu não estou acostumada com isso!", alegou a pobre Alice em um tom consternado .

"Você se acostumará com o tempo", retrucou a Lagarta, e colocou o narguilé na boca, começando a fumar novamente.


Parte de texto extraído desse belo blog, com tradução de Clélia Regina Ramos.


.

sábado, 27 de junho de 2009

COMENTÁRIO E INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO PRÁTICA DA MÁQUINA DO TEMPO - parte 4/5

Estamos chegando ao que de fato interessa.
Olhos atentos e percepções conceituais afinadas ao que vem em seguida.
É o necessário para diferenciar-nos, em equivalência positivista-transcendental, às formigas.
Reflitam...

IV. FUNCIONAMENTO DA MÁQUINA

Através das acções girostáticas, a Máquina é transparente aos espaços sucessivos do Tempo. Ela não dura, e conserva sem duração, ao abrigo dos fenómenos, o seu conteúdo. Se ela oscila no Espaço, se o Explorador mesmo que tenha a cabeça para baixo, vê, no
entanto, normalmente e continuamente no mesmo sentido os objectos afastados, porque não tem referências, porque tudo o que está perto é transparente.

Como ele não tem duração, não escoou qualquer tempo durante a viagem, por muito longe que ela fosse, mesmo se fizer uma paragem fora da Máquina. Nós dissemos atrás que ele só dura como uma fricção ou uma viscosidade, duração praticamente substituível àquele que ele teria continuado a sofrer sem entrar na Máquina.

Uma vez em marcha, a Máquina dirige-se sempre em direcção ao futuro.

O futuro é a sucessão normal dos fenómenos: uma maçã está na árvore; ela cairá; o Passado uma sucessão inversa: a maçã cai – da árvore. O Presente é nulo. É uma pequena fracção de um fenómeno. Mais pequeno que um átomo. Sabe-se que a grandeza de um átomo material é, de acordo com o seu diâmetro, de 1,5x10-8. Ainda não foi medida a fracção de segundo de tempo solar mediante a qual é igual o Presente.

O mesmo acontece no Espaço, é preciso para que um móbil se desloque, que ele seja mais pequeno no sentido do seu receptáculo (a grandeza) do que o seu receptáculo, é preciso para que a Máquina se desloque na Duração que ela seja menor em duração que o Tempo, o seu contentor, isto é, mais imóvel na sucessão.

Ora a imobilidade da duração da Máquina é directamente proporcional à velocidade de rotação dos giróstatos no Espaço.

O futuro designado por T, a velocidade espacial ou lentidão de duração necessária para explorar o futuro, sendo V uma quantidade de tempo:

V < T

Sempre que V se aproxima de 0, a Maquina regressa ao Presente.

A marcha no Passado consiste na percepção da reversibilidade dos fenómenos. Ver-se-á a maçã a saltar para trás de regresso à árvore, ou ressuscitar a morte, e depois o projé�il regressar ao canhão. Tal aspe�o visual da sucessão é já conhecido, como podendo ser obtido teoricamente ultrapassando a luz, depois continuando a afastar-se com uma velocidade constante, igual à da luz. A Máquina pelo contrário transporta o Explorador com todos os seus
sentidos em plena Duração e não à caça de imagens conservadas pelo Espaço. Bastar-lhe-á acelerar a marcha até ao ponto em que o registador de velocidade ( recorde-mos ainda que a velocidade dos giróstatos e lentidão de duração da Máquina, isto é a velocidade dos eventos em direcção oposta, são sinónimos) marca.

V < - T

E ele continuará com uma velocidade uniformemente acelerada que pode ser controlada quase de acordo com a lei da gravidadede Newton, porque um passado anterior ao -T é anotado por < -T, e para atingir ele deverá ler sobre o indicador um número equivalente a

V <(< -T)


Continue dominando seu anseio lancinante, aflitivo, angustiante, cruciante, doloroso, excruciante, penoso, pungente e torturante pelo término dessa mensagem. Pois como teria dito Einstein, em certa feita: "Duas coisas são infinitas: o universo e a estupidez humana. Mas, no que respeita ao universo, ainda não adquiri a certeza absoluta".



.