sábado, 6 de junho de 2009

COMENTÁRIO E INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO PRÁTICA DA MÁQUINA DO TEMPO - parte 1/5

Devo agradecer à inestimável importância do filósofo bloguístico João Maria Gusmão pelo acesso a esse material, fundamental para viagens translineares e hipercúbicas em relação ao questionamento do lugar-comum e sistemas seriais de pensamento. A ele nossos 'eflúvios sintético-miméticos'.

Levamos ao conhecimento de parte inestimável e excepcional dos interessados em culturas adversas e extemporâneas, subversivas, subservientes, ou ambas, e que, despojadamente de seus anelos mais altruísticos visitam esse blog por motivos inconfessáveis, quizás...
quizás...quizás ao bispo-papão de Jô Soares (copyrights sem registros definidos...).

Monsieur Alfred Jarry é um completo desconhecido, salvo por aqueles que já ouviram falar dele, já leram algo por suas mãos (dele) tecidas, o estudaram ou o conheceram pessoalmente (e que certamente já estão mortos numa hora dessas).

Aos que não se encaixam nessa situação, leiam.

Fundamental para a construção de um imaginário biológico mais compensador que o virtual sintético, passamos a colaborar pela divulgação de sua obra inexpugnável, inoxidável, in sípida, odorificada, densa e transgressora.

Para isso você terá o (des)prazer de acompanhar essa breve saga para a construção do último portento desafiador da tecnologia hodierna (sic, sim), apresentada em cinco partes.

Aos menos desavisados, intercalarei alguns links para baixar músicas (já que muitos não vem aqui por outro motivo). Dispenso, desde já, qualquer oferta para posteriores entrevistas e/ou participaçoes em radio-tevês-palestras-circos on-line ou não, ante o estrepitante, portentoso, esteplococo e execrável sucesso dessas minhas postagens.


(É melhor ler o texto sob os efeitos terapêuticos de 'Blue Jay Way' do album Magical Mistery Tour, dos The Beatles. Tente baixar aqui.)

I. A NATUREZA DO MÉDIO
Não é menos difícil conceber uma máquina para explorar o Tempo que uma para explorar o Espaço, quer seja considerando o Tempo como a quarta dimensão do Espaço, seja como um lugar essencialmente diferente pelo seu conteúdo.

Definimos normalmente o Tempo como: o lugar dos eventos, da mesma maneira que o Espaço é o lugar dos corpos. Ou mais simplesmente: a sucessão, enquanto o Espaço – aplicam-se aqui todos os espaços: o espaço Euclideano ou espaço tridimensional, no espaço de quatro dimensões, insinuado pela intersecção de vários espaços tridimensionais; os espaços de Riemann, onde, sendo esferas fechadas, o círculo é uma linha geodésica na esfera do mesmo raio; os espaços de Lobachewski, onde o plano é aberto; ou qualquer outro espaço não-Euclideano, distinguível pelo facto de não ser possível construir duas figuras idênticas como se pode fazer com o Euclideano - é a simultaneidade.

Qualquer parcela de simultaneidade de Tempo é estendida e pode ser explorada por máquinas que viajam no espaço. O presente é Extensão em três direcções. Se se transporta para qualquer ponto do passado ou do futuro, esse ponto, no momento da sua permanência, será presente e estendido pelas três direcções.

Reciprocamente, o Espaço ou o Presente, possuem as três dimensões do Tempo: o espaço percorrido ou passado; o espaço por vir e o presente propriamente dito.

O Espaço e o Tempo são comensuráveis: a exploração que tem em vista encontrar pontos no Espaço pode ser realizada senão apenas ao longo do Tempo; e para medir quantitativamente o Tempo, basta reconduzir ao Espaço os quadrantes dos cronómetros.

Espaço e Tempo, sendo da mesma natureza, podem ser considerados dois estados físicos diferentes da mesma substância, ou modos diferentes de movimento. Mesmo considerando-os somente como formas de pensamento, vemos o Espaço como uma forma sólida e um sistema rígido de fenómenos; ao passo que se tem tornado poeticamente banal comparar o Tempo a um líquido animado por um movimento uniforme retilíneo. Constituído por moléculas móveis de que a menor facilidade de deslize ou a viscosidade não é em suma senão a consciência.

O Espaço que nos rodeia é fixo, quando desejamos viajar nele movemo-nos no veículo da Duração. Ela representa em cinemática o papel de uma variável independente qualquer, em função da qual se determinam as coordenadas dos pontos considerados. A cinemática é uma geometria. Os Fenómenos nela descritos não têm nem antes nem depois, e o fato de criarmos esta distinção prova que somos conduzidos através deles.

Movemo-nos no sentido do Tempo e à mesma velocidade, fazendo parte nós mesmos do presente. Se fôssemos capazes de permanecer imóveis no Espaço absoluto, durante o curso do Tempo, ou seja fecharmo-nos subitamente numa Máquina que nos isola do Tempo (salvo a pequena “velocidade de duração” normal, da qual ficaremos animados por causa da inércia), todos os instantes futuros ou passados (mais adiante poderemos ver que o Passado vai para além do Futuro, do ponto de vista da Máquina), seriam explorados sucessivamente tal qual como um espectador sedentário que assiste a um panorama que cria a ilusão de uma rápida viagem ao longo de paisagens sucessivas.

[Agora baixe aqui o álbum Dança das Cabeças - Gismonti e Vasconcelos]

(aos desavisados um aviso (o que os fará deixar de serem): haverá continuação na próxima semana... Portanto, cuidado por onde navegam! Poderão cair aqui novamente...)

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