sábado, 13 de junho de 2009

COMENTÁRIO E INSTRUÇÕES PARA A CONSTRUÇÃO PRÁTICA DA MÁQUINA DO TEMPO - parte 2/5

É importante ressaltar que o texto que você poderia estar lendo a seguir é centenário, e a primeira parte dele está aqui.
Ufano-me ao pensar poder colaborar com tal investida técnico-cultural-psicodélica-transcendente, no aprofundamento de conceitos insólitos inesperados que teem despertado em mentes inadvertidas e imorredoiras expressões estupefactas culminando na interjeição "uuUUÊEebaa!!". E que nada vem a significar em tal caso, vez que uma avalanche de opiniões estaria melhor representada com o mais trivial: "UHúúúL!!".

II. TEORIA DA MÁQUINA

Uma Máquina que nos isola da Duração, ou da acção da Duração (dos efeitos de envelhecimento ou rejuvenescimento, abalos físicos imprimido a um ser inerte por uma sucessão de movimentos) deverá tornar-nos transparentes face a estes fenómenos físicos, permitindo que eles nos atravessem sem que nada nos modifique ou desloque. Este isolamento bastará (e em todo caso é
impossível organizar isto com maior perfeição) se o Tempo, ultrapassando-nos, nos transmitir um impulso mínimo, só o bastante para compensar uma pequena desaceleração à nossa duração habitual conservada por inércia, desaceleração causada por uma acção comparável à viscosidade de um líquido ou à fricção de uma máquina.

Estar imóvel no tempo significa pois atravessar (ou ser atravessado impunemente, como um vidro deixa passagem sem qualquer rotura a um projéctil, ou melhor o bloco de gelo recompõe após o corte de um arame e um organismo é percorrido sem haver lesão de uma agulha asséptica) todos os corpos, movimentos e forças cujo local será o ponto do espaço escolhido pelo Explorador para o ponto de partida da sua máquina para ser imóvel.

A Máquina do Explorador do Tempo deve ser:

1) perfeitamente rígida, ou por outras palavras, absolutamente elástica, a fim de penetrar o sólido mais denso, como é capaz um vapor infinitamente rarefeito.

2) sujeita à atracção da gravidade para permanecer no mesmo local do espaço, mas suficientemente independente do movimento diurno da Terra para conservar uma orientação invariável no Espaço absoluto; e, como um corolário, embora tendo peso, a Maquina deverá ser incapaz de cair se o solo entretanto abrir um fosso no curso da viagem.

3) Não-magnético, para não ser influenciado no regresso (veremos por quê depois) pela rotação do plano de polarização da luz.

Existe um corpo ideal que satisfaz a primeira destas condições: o éter luminoso, um sólido elástico perfeito, visto que as vibrações de ondas se propagam nele à velocidade que conhecemos; penetrável em qualquer corpo e que pode penetrar todos os corpos sem qualquer atrito, calculável já que a Terra gravita como num vácuo.

Mas, e esta é a única semelhança que se pode atribuir aos corpo circulares ou éter Aristotélico, não é pesado por natureza; e, virando como um todo, determina a rotação magnética descoberta por Faraday.

Ora, um aparelho muito conhecido é um excelente modelo de éter luminoso, e satisfaz aos três postulados.

Recordemos com brevidade a constituição do éter luminoso:
É um sistema ideal de partículas materiais que agem em relação umas às outras por meio de molas sem massa. Cada molécula é mecanicamente o invólucro de uma balança de molas cujos ganchos de suspensão estão ligados aos das moléculas vizinhas. Uma tracção no gancho da última molécula ocasionará o estremecimento de todo o sistema, que é exactamente como progride a frente da onda luminosa.

Esta estrutura composta de balanças de molas é análoga à circulação sem rotação de líquidos infinitamente grandes através de aberturas infinitamente pequenas, ou a um sistema articulado de varas rígidas e de volantes em rápido movimento de rotação, suportados por todas ou só algumas dessas varas.

A balança de molas só difere do éter luminoso por ser pesado e por não rodar sobre si, tal como não o faria o éter luminoso num corpo desprovido de força magnética.

Se mantivermos as velocidades angulares dos volantes cada vez maiores, ou as molas cada vez mais rígidas, os períodos dos movimentos de vibratórios elementares ficarão mais curtos, e as amplitudes cada vez mais débeis: os movimentos vão tornar-se cada vez mais semelhantes aos de um sistema perfeitamente rígido formado por pontos materiais móveis no Espaço e girando de acordo com a lei de rotação bem conhecida dum corpo rígido que tem momentos iguais de inércia sobre os seus três eixos principais.

Em resumo, o elemento de rigidez perfeito é o giróstato [Nota Delta9: s.m. Sólido animado de um movimento de rotação rápida em torno de seu eixo, permitindo a estabilização em direção a este eixo].

Todos nós conhecemos aqueles quadros de cobre, redondos ou quadrados que contêm um volante em rápida rotação sobre o seu eixo interior. Em virtude da rotação, o giróstato mantêm-se em equilíbrio em qualquer posição. Se deslocarmos o centro de gravidade um pouco para fora do ponto vertical do suporte, ele gira em azimute e não cai. [Nota Delta9: Se você montar dois giroscópios com seus eixos a 90º um do outro em uma plataforma, e posicioná-los dentro de um conjunto de argolas de suspensão de bússola, a plataforma permanecerá completamente rígida, enquanto as argolas rodam em qualquer direção. Esta é a base dos sistemas de navegação inerciais (INS)].

Sabemos que o azimute é o ângulo que faz com o meridiano o plano determinado pela vertical do sítio e por um ponto dado, uma estrela por exemplo.

Quando um corpo é animado de um movimento de rotação em torno de um eixo do qual um ponto é conduzido no movimento diurno do globo, a direcção do seu eixo de rotação permanece invariável no Espaço absoluto; de modo que para um observador guiado sem seu conhecimento na rotação diurna, este eixo pareceria mover-se uniformemente em redor do eixo do globo, exactamente como o faria uma luneta de paralaxe constantemente apontada para uma mesma estrela muito próxima do horizonte.

Três giróstatos em rotação rápida, cujas linhas dos rolamentos estejam paralelas às três dimensões, engendram a rigidez cúbica. O Explorador sentado na sela da Máquina está – mecanicamente – fechado num cubo de rigidez absoluto, podendo penetrar sem modificação qualquer corpo, à semelhança do éter luminoso.

Acabamos de ver que a Máquina está suspensa segundo uma direcção invariável no espaço absoluto, mas em relação com o movimento diurno da Terra, para assim determinar um ponto referência do tempo percorrido.

Ela não tem, em suma, parte magnética, como a descrição assim nos mostrará.

Antesquemesqueça: próxima semana a continuação dessa inadiável saga impagável... Contenha-se, conserve seu medo e preserve seus instintos mais primitivos em constante alerta.



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